segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Monumento Marco Zero: Um ponto turístico estéril e hostil ao visitante.


Vista traseira do Monumento Marco Zero e entorno
Imagem via: Site Visiteobrasil.com - Foto: Jorge Andrade
Se analisarmos profundamente veremos que o Monumento Marco Zero é um ponto turístico hostil ao visitante, primeiro por estar em uma rotatória no meio da Rodovia Juscelino Kubitschek, sem faixa para os pedestres que precisam acessá-lo, e são obrigados a atravessar em meio a um trafego intenso e onde os veículos circulam em alta velocidade, um perigo e tanto. Ciclistas e motoristas que acessam o local também precisam de atenção redobrada, um segundo fator é o simples fato de não existir nenhum suporte para que o visitante permaneça mais de trinta minutos no lugar, o que contribui para que ele esteja distante do cotidiano da população macapaense e seja frequentado quase que exclusivamente por turistas o ano inteiro. Quando analisamos seu entorno a situação é ainda menos atrativa, um grande descampado estéril, poeirento no verão e lamacento no inverno, utilizado como estacionamento improvisado ou para festas privadas em sua maioria, que em nada contribuem para valorizar o lugar e que pouco ou nada trazem aos cofres públicos.

A solução óbvia para aquela área seria a implantação de um parque urbano, pois além de levar verde, saúde e bem-estar para aquela região da cidade, serviria também para promover atividades físicas, eventos esportivos e culturais, além de valorizar e muito o seu entorno. Porém tão importante quanto a construção do parque, seria a integração do Monumento Marco Zero a este complexo. Estratégias projetuais simples e outras relativamente dispendiosas podem tira-lo do isolamento, tais como a redefinição do sistema viário local e a inclusão do Marco Zero ao parque, reforma e redefinição de uso para o sambódromo em estado de abandono, entre outras. Para que isto se torne realidade é necessário visão estratégica e planejamento, e nada melhor do que a realização de um concurso de projeto, algo muito utilizado no centro-sul, e mais recentemente em Belém para escolha do novo parque do aeroclube, mas até hoje é um mecanismo inédito e talvez até desconhecido pelos agentes públicos amapaenses. 


Monumento Marco Zero e entorno
    Fonte: Google Earth, 2017
À primeira vista a implantação de um parque pode parecer para alguns algo supérfluo e secundário, diante do caos urbano e social que vivem as cidades brasileiras na atualidade, onde há falta investimentos na saúde, na educação, na segurança etc. Porém na realidade quando observamos os benefícios sociais, físicos e psíquicos resultantes da implantação de um bom projeto de parque público, verificamos que este melhora as relações sociais, incentiva a prática de exercícios físicos e atividades culturais, aumenta a autoestima da população e como bônus contribui para amenizar o calor. Contudo mesmo com todas as adversidades atuais, no fim de tarde ou início da manhã, é possível ver inúmeros moradores dos bairros em volta utilizando a área para fazer suas caminhadas e outras atividades físicas. 

Em Macapá quem não se lembra da euforia, quando foi inaugurado o primeiro parque urbano da cidade? O Parque do Forte, que de tão agradável e bem projetado popularmente ficou conhecido como “lugar bonito”, hoje, mesmo diante do relativo estado de abandono e má conservação ele ainda continua sendo um dos principais locais de passeio público dos macapaenses, ponto de encontros, de caminhadas e de infindáveis eventos culturais, a implantação do parque valorizou o principal cartão postal do estado, a Fortaleza de São José, mas e quanto ao segundo mais importante cartão postal, o Monumento Marco Zero? Local onde passa a linha do Equador e que divide o mundo em dois hemisférios? Ao que parece, até hoje não tem recebido a devida atenção. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O urbanicídio do Parque do Forte


Mas o que é Urbanicídio? O conceito de urbanidade tem sido muito debatido entre os estudiosos do urbanismo, esta ciência social aplicada, que por convenção define urbanidade como sendo; muitas pessoas usando os espaços públicos, em diversidade de perfis sociais utilizando estes mesmos espaços, com uma alta interação entre os espaços abertos e fechados, proporcionando grande integração entre pessoas e uma satisfatória diversidade de transportes para o deslocamento desta população. Em suma, urbanidade são todos os aspectos que compõe a vivência nas cidades, bem como a qualidade desta interação e isto perpassa inevitavelmente pela qualidade dos espaços públicos como Praças, Parques e Paços. Com isso podemos dizer que o antônimo de urbanidade é urbanicídio, a tentativa de destruição dos espaços públicos, dificultando o convívio da população.

Os grandes parques públicos urbanos aparecem, tal como conhecemos hoje no século XVII quando as maiores cidades da Europa chegaram a uma situação crítica de insalubridade. As populações urbanas, das cidades já poluídas e caóticas passaram a enxergar no campo um local oposto a tudo isso, um espaço higiênico, de ar fresco e de tranquilidade. Assim surgem os primeiros parques públicos, com isso surge a preocupação com a preservação das áreas verdes, bem como da qualidade de vida no meio urbano. Entretanto para além de tudo isso, os parques como espaços públicos, tem papel vital para a interação, a promoção da cultura, do esporte, do lazer e do convívio social, das pequenas cidades as grandes metrópoles.

Parque do Forte - 2006









Em 20 de Junho de 2006 Macapá ganha seu primeiro parque urbano, projetado pela renomada arquiteta paisagista Rosa Kliass, o projeto transformou uma área degradada e subutilizada em torno do principal cartão postal do Amapá, a Fortaleza de São José de Macapá. A população macapaense carente de um grande espaço público adotou rapidamente este parque e o passou a chama-lo de “lugar bonito”. Desde que os tapumes foram derrubados e o parque inaugurado as 17:00 h daquele dia a população nunca mais o abandonou, entretanto, ao que parece o poder público no últimos anos, ilogicamente vem tentando sucatear o principal cartão postal do estado. Aquele local que um dia foi motivo de orgulho amapaense virou um local violento, escuro e esquecido pelo governo. Porém a população resiste a perda de seu maior espaço público e mesmo com esta política de abandono continua frequentando o parque, onde ainda é possível encontrar casais namorando, pessoas correndo, famílias passeando e crianças brincando. O urbanicídio do Parque do Forte ainda não foi bem sucedido, só não sabemos por quanto tempo mais a resistente população macapaense vai aguentar.

Parque do Forte - 2014









Referências:

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pavimentação como obra eleitoreira

Em pleno período de eleição Governo do Amapá e
Prefeitura de Macapá lançam um programa de pavimentação.
Fonte: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia...em-macapa.html

A pavimentação de ruas é a obra mais comum no Brasil durante o período eleitoral, primeiro por que a população desconhece os critérios técnicos e obras preliminares que devem anteceder o asfalto, tais como construção de galerias pluviais, canaletas e meio fio que evitariam que o asfalto se desgastasse e aumentaria sua durabilidade. Segundo que esta pavimentação eleitoral, além de muito mais rápida e barata do que a construção de uma escola ou um posto de saúde, por exemplo, traz ganhos políticos imediatos para os políticos que se utilizam desta artimanha, ainda que claramente eleitoreira, impacta os moradores que a anos clamam e esperam do poder público a pavimentação da sua rua.

Porém o  maior problema dessa pavimentação, no mínimo duvidosa, que visa o voto em detrimento dos critérios técnicos e do respeito pelo dinheiro público, é que quando este tipo de pavimentação é realizada, embora o custo x beneficio seja vantajoso para os maus políticos, esta acaba sendo muito mais cara e dispendiosa para toda sociedade, uma vez que no futuro será necessário remover boa parte deste asfalto pra implantação de obras de água, esgoto e drenagem, ou pior, quando essas obras não chegam, e a cidade vai se adensando e se urbanizando, o solo vai sendo impermeabilizado, aumentando inclusive a velocidade de vasão da água da chuva que depois se acumula, fazendo com que a probabilidade de alagamentos cresça exponencialmente, em Macapá já começamos a ver o inicio deste processo. 

Na realidade amapaense ainda tem um outro agravante, o inverno, ou período "invernoso", como gostam de falar as autoridades locais, é usado como desculpa para tudo, desde os serviços mais básicos como limpeza e manutenção urbana até a pavimentação. Geralmente o que tem sido feito pelas sucessivas gestões é a famosa "operação tapa-buraco" (Deveria ser chamada de Operação tapar o Sol com a peneira), supostamente como medida emergencial até a chegada do verão. O que geralmente termina em mais do mesmo: O verão chega, e inicia-se a pavimentação de péssima qualidade, com ganhos eleitorais temporários e após alguns anos (as vezes meses), a péssima pavimentação se desfaz, junto com dinheiro público que escoa junto, e a rua só ganha outra camada no próximo período eleitoral, ou seja, um verdadeiro looping temporal da pavimentação eleitoral.

Solução?
Primeiramente seria o poder público tratar o dinheiro do contribuinte e a população com seriedade, executando estudos e obras de infraestrutura preliminares antes da pavimentação propriamente dita, segundo seria melhorar a composição do asfalto utilizado (coisa que já foi prometida em campanhas anteriores), e por fim, não podendo executar todas essas obras, que se executem formas de pavimentação alternativas, como por exemplo bloquetes, embora existam diversas outras.


Leia também:
http://campus.fac.unb.br/cidade/item/3144-obras-realizadas-com-fins-eleitoreiros
http://www.jesocarneiro.com.br/cidade/alternativa-de-pavimentacao-em-bloquetes.html
https://www.idd.edu.br/blog/idd-news/pavimentacao-em-concreto-armado-a-alternativa-para-vias-urbanas
http://www.portaldetecnologia.com.br/tags/pavimentos-de-baixo-custo-para-vias-urbanas/



terça-feira, 1 de julho de 2014

O Largo dos Inocentes e a tentativa de higienização social

Largo dos Inocentes, "Formigueiro"
Foto: http://casteloroger.blogspot.com.br/

O higienismo social é uma ideologia que surge no final do século XIX, que consiste a grosso modo em limpar, higienizar a cidade de tudo aquilo que a enfeia, na prática consistiu em uma política de remoção da pobreza, de mendigos, usuários de drogas entre outras “personas non gratas” da vista da população, em outras palavras, uma tentativa de esconder a “sujeira” de nossa sociedade para debaixo do tapete. Hoje quase 150 anos depois ela ainda é usada por quase todos os gestores públicos, bem como é um pensamento elitista que entranha todas as camadas sociais. Um caso de notório e bem atual é a política de higienização do centro de São Paulo empreendida pelos governos do PSDB e PT, na região da Cracolândia. Uma tentativa fracassada de tentar limpar o centro de São Paulo que só fez espalhar o problema por todo o centro da cidade, outro caso mais extremo é a chacina da Candelária onde acredita-se até hoje que os comerciantes da região da Cinelândia no Rio, pagaram um grupo de extermínio para “limpar” a área de mendigos e meninos de rua.

O Largo dos Inocentes, também conhecido como Formigueiro, ou ainda apenas “Fórmis” pelos mais jovens, é o berço histórico da cidade de Macapá, foi lá que viveu Mãe Luzia, histórica parteira que hoje dá nome a única maternidade do estado, lá existia o antigo pensionato São José (Hoje parte do Vila Nova Shopping), lá existiu o Cine Paraíso um dos primeiros cinemas do Amapá (Reaberto por algum tempo e hoje vendido ao Shopping), é lá que fica a Igreja de São José, a edificação mais antiga da cidade e um dos poucos monumentos que faz referência aos mais de 250 anos da capital, assim como é lá que está a última casa colonial de Macapá (Que irá se tornar um espaço cultural), e sem falar que lá também está o famoso Bar da Dona Beth. A região do Formigueiro é também um centro para diversas manifestações culturais e ponto de encontro de diversas “tribos” urbanas macapaenses, que vão desde os pioneiros, até os heavy metal, passando pela comunidade LGBT.


Recentemente uma organização que tradicionalmente realiza eventos no largo, revoltou frequentadores e não frequentadores do lugar, ao declarar que o Formigueiro é um antro de “viciados” e “vândalos”, e que as árvores que existem lá atraem “desocupados”, e em uma clara tentativa de higienizar o lugar pediu a prefeitura de Macapá que cortasse todas as árvores e destruíssem todos os bancos (E os vândalos são os frequentadores né?!), o que sugere que além de querer higienizar socialmente a área, a organização ainda demonstra atitudes que lembra e muito uma privatização do espaço público.  A referida organização ignora o fato de que aquela área é pública, de que Macapá mesmo sendo uma cidade amazônica é extremamente mal arborizada e precisa de árvores, e que aquela área serve de ponto de encontro de diversas tribos. É lamentável que discursos como estes ainda existam e se propaguem em pleno século XXI, é como querer aleijar a cidade de um dos poucos espaços de convívio social que ainda temos. A prefeitura deveria intervir sim na região, porém não para descaracterizá-la e sim para revitalizá-la e potencializar as atividades culturais que ali existem e transformá-la em um corredor cultural para todas as tribos, todas as idades e, sobretudo para todos, afinal, aquele é um espaço público de uso comum e assim deve permanecer.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

As verdadeiras razões da Rodovia Norte-Sul


O discurso oficial diz que a rodovia Norte-Sul irá desafogar o trânsito na Zona Norte de Macapá, e que irá acabar com os congestionamentos (Na realidade, lentidão do trânsito, em horários previsivelmente determinados como no inicio da manhã e fim da tarde). De algum modo existe algum sentido em tudo isso, entretanto será que essa é a real razão para a construção desta rodovia de quase sete quilômetros e que certamente impactará a capital macapaense?

O que deveria ter sido feito
Se o intuito da rodovia fosse apenas e unicamente ligar a Zona Norte a Zona Sul de Macapá, uma idéia muito antiga poderia ter sido tirada do papel, trata-se do prolongamento da Rua Leopoldo Machado, em conjunto com a união dela com a Rua Hamilton Silva e juntas formariam um trecho viário de apenas 3,4 Km reduzindo significativamente o tempo, o custo e o percurso de quem quisesse ir da Zona Norte a Zona Sul. E para interligar a Zona Norte a Zona Oeste através da Duca Serra bastasse ter asfaltado uma estrada antiga que liga o Alvorada a Ilha Mirim, margeando as áreas de ressacas no caminho, coisa que o atual traçado da Rodovia Norte-Sul não faz.
Adicionar legenda

Obras viárias complementares                               
A rodovia em questão ligará a BR-156 a Rodovia Duca Serra, o que possivelmente transferirá o congestionamento da Ponte Sérgio Arruda para o Começo da Duca Serra que hoje em horários de pico já apresenta alguns problema já que a rodovia está duplicada apenas em um pequeno trecho que não chega a um quilometro e termina bem em frente ao Ceap, sem obras viárias complementares como rotatórias ou viadutos tanto como no encontro da Norte-Sul com a BR como em seu encontro com a Duca Serra e a duplicação desta, certamente ocorrerá congestionamentos ainda piores dos que já ocorrem na Ponte Sérgio Arruda.

Interesses institucionais

Já não é de hoje que a imensa área de Infraero gera criticas de governos e urbanistas, na verdade desde que o Aeroporto de Macapá foi construído nos anos setenta, arquitetos-urbanistas da época já alertavam que o tamanho do sitio aeroportuário bem como sua proximidade com o centro da cidade iriam atrapalhar o crescimento de Macapá, mas sem interesse no tema parte da população e de especialistas, bem como a tradicional falta de visão dos políticos locais da época, o aeroporto foi construído ali mesmo.
Não é por outro motivo que o Projeto da Rodovia Norte-Sul, passa exatamente dentro da gigantesca área da Infraero, inclusive esta rodovia constava já no Plano Diretor de Macapá de 2004, bem como a área da Infraero mesmo sendo propriedade federal aparece como “área de interesse institucional”, o que não é uma mera coincidência já que recentemente o governo do estado criou a comissão para a elaboração do edital do concurso de projeto urbano para a “Cidade Administrativa”, que futuramente deverá transferir todos os órgãos públicos do setor administrativo na Avenida Fab para a região da Norte-Sul, e este projeto terá um impacto ainda maior sobre a capital macapaense.


domingo, 25 de agosto de 2013

Plano Diretor Universitário para a Unifap

O que é um plano diretor?

Existem várias definições do que seria um plano diretor, entretanto uma das melhores definições é a seguinte: “O Plano Diretor pode ser definido como um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano. (BRASIL, 2002, p. 40)”.
O Plano Diretor de uma cidade universitária apresenta diferenças quanto ao aplicado a um município. Por exemplo, dentro da esfera institucional, não há um mercado imobiliário capaz de valorizar as terras de maneira desigual, cuja reflexão será na oferta e na demanda diferenciadas por lotes. Também dentro da Academia, há o estabelecimento de um caráter de zona de uso do solo, com favorecimento e incentivo maiores a certos usos em alguns locais (prédios para salas de aula, laboratórios etc.), em detrimento de outros (atividades administrativas)”.
Professor Juliano Pamplona Ximenes Ponte, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Campus Marco Zero da Unifap
Evolução Urbana do Campus Marco Zero

Desde sua fundação em 10 de abril de 1987 a Universidade Federal do Amapá não possui plano diretor para nortear o planejamento urbano do Campus Marco Zero, sendo uma das únicas universidades federais do país sem tal mecanismo, e o que vem se verificando nos últimos anos é uma expansão desordenada sem obedecer a um partido arquitetônico, sem setorização ou zoneamento, sem sistema de saneamento básico de tratamento de esgoto, e com problemas sérios de arborização e locais de socialização dos acadêmicos, isso quando o curso tem bloco, pois vários cursos mais recentes como Relações Internacionais e Jornalismo simplesmente vagam pela Unifap estudando em blocos "emprestados" de outros cursos. Nos últimos anos tem-se adotado um modelo de bloco chamado pelos alunos de “blocões” ou “caixotes” sem nenhum critério de conforto térmico, acústico ou de iluminação natural, onde se utiliza largamente o uso de centrais de ar condicionado, películas e cortinas visando minimizar os efeitos da falta de planejamento ou da adoção de um partido arquitetônico que vise o conforto e a salubridade dos ambientes para os acadêmicos e funcionários.
Primeiros Blocos da Unifap 
Primeiros Blocos da Unifap 
Os "puxadinhos" ampliando blocos antigos
para colocar mais salas de aula
Os "blocões-Caixotes"
Novo bloco padrão da Unifap
Falta de arborização também é uma
marca do Campus Marco Zero
Restaurante Universitário - R.U















Onde está o curso de Arquitetura e Urbanismo?
"Campus" Santana -
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Uma ilustre visitante
Alheio a tudo isso, o curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifap, está localizado há mais de vinte quilômetros do Campus Marco Zero, no Campus Santana continua sendo o único curso de graduação fora do Campus Marco Zero, o que faz com que os acadêmicos de arquitetura não tenham quase nenhum contato com o resto da universidade, quebrando assim uma das lógicas da universidade que é justamente a interação entre os diferentes campos da ciência, ou seja, a universalização do ensino. Somando ao fato de que mesmo sendo um curso com quase uma década de criação não possui nenhum laboratório ou infra-estrutura que não seja sala de aula, os alunos não dispõem de Restaurante Universitário, Vestiários, Quadra, Piscina entre outros equipamentos que existem no Campus Marco Zero e para completar os acadêmicos de arquitetura correm perigos diariamente para chegar ao “Campus” Santana onde além do lamaçal na entrada ainda tem que enfrentar os perigos da Rodovia Duca Serra, andar quase um quilômetro para chegar a parada e ainda no “Campus” sofrem os perigos de animais peçonhentos que eventualmente aparecem lá.

Exemplos de outras Universidades
 
Plano Diretor da UFPA

Plano Diretor da UFSM









Plano Diretor da UFMG

Plano Diretor da USP



























Referências



sexta-feira, 17 de maio de 2013

SOS Cidades 2013 - Macapá


Meu caro (a) leitor não costumo escrever aqui em primeira pessoa, porém creio que como fiz esse post para relatar o SOS, imagino que não teria maneira melhor de descrever o programa como contando minha experiência pessoal, então este seria acima de tudo um relato particular sobre o evento. Que sem dúvida mudou radicalmente tudo o que pensava sobre arquitetura e sobre como pensar um projeto, como estudante de arquitetura, sinto-me honrado de ter participado dessa experiência incrível. Depois do SOS minha visão de mundo foi expandida, minha visão da arquitetura mudou minhas expectativas agora são outras e meus sonhos agora são outros. De certo modo, sinto-me renovado para enfrentar uma grande jornada.

O que é o SOS?

O SOS Ciudades é um programa internacional realizado pela Taller Sudamérica e pela Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires (Fadu-Uba), em parceria com outras instituições de ensino superior da América do Sul. O programa promove um intercâmbio de uma semana entre acadêmicos e docentes destas universidades envolvidas para formulação de projetos de intervenção urbana em alguma cidade de uma região, ambos previamente estudados e analisados, e se possível com a participação de um curso local de arquitetura.
Nos últimos três anos o SOS Cidades dedicou-se a realizar projetos e análises em cidades da bacia amazônica, começando com Iquitos - Peru em 2011, Manaus - Amazonas em 2012 e Macapá - Amapá em 2013, integrando assim a nascente o meio e a foz do Rio Amazonas e da Bacia Amazônica.

Projetos
A metodologia do programa consiste na formação de grupos de trabalho heterogêneos para que haja a máxima troca de conhecimento possível entre os membros, sendo assim em todos os grupos houve acadêmicos estrangeiros e brasileiros, coordenados por um docente estrangeiro e um co-coordenador brasileiro (Embora quase nenhum dos nossos professores tenha participado). Antes de se iniciar os projetos propriamente ditos houve visitas a algumas áreas problemáticas da cidade, que poderiam ser área de grande interesse para propor um projeto de intervenção urbana.

Áreas visitadasCanal das Pedrinhas, Igarapé da Fortaleza e Vila Amazonas

Canal das Pedrinhas
Canal das Pedrinhas
Vila Amazonas



Trabalho dos grupos

Os trabalhos dos grupos ocorreram simultaneamente dentro da Fortaleza de São José, onde os acadêmicos foram divididos em nove grupos de trabalho, sendo que cada professor aplicou sua metodologia e a sua forma de ensinar. Particularmente gostei muito da metodologia aplicada pelo professor coordenador do meu grupo o Prof. Facundo Sniechowsk​i, que consiste primeiramente no olhar coletivo que todos tem ou tiveram sobre a cidade, depois a leitura das cinco escalas (Escala mundo, Escala América do Sul, Escala Amazônia pulmão do mundo, Escala Amapá o estado mais preservado do Brasil e a Escala Macapá a cidade das bacabas e basicamente mantida pelo funcionalismo público), bem como a análise de conceitos como (moradia, produção, identidade cultural e paisagem) e por fim a essência da área de intervenção ou seja, da cidade de Macapá que concluímos que a característica mais marcante da cidade que a diferencia de todas as outras são as áreas de ressacas, abaixo fiz um resumo básico dos projetos apresentados por cada grupo no final do SOS Cidades 2013.



Grupo 1 (Prof. Roberto Szraiber)
Dez estratégias para a transformação do Território
As dez estratégias propostas pelo grupo foram: 01. Consolidação dos portos já existentes, 02. Conexão navegável entre o Igarapé da Fortaleza e o Rio Amazonas, 03. Criação de uma rota de conexão do Amapá com Caribe e Oceano Pacifico, 04. Consolidação do Centro da cidade (Chamada de Cidade Baixa) com verticalização média e baixa, 05. Criação de um novo centro para cidade na região do Marabaixo (Chamado de Cidade alta), onde seria permitida alta verticalização, 06. Criação de uma nova orla interior nas áreas de ressaca paralelo, 07. construção de bairros ecológicos nas bordas das ressacas, 08. Criação de um novo centro de pesquisa e proteção ambiental, 09. Construção de portos interiores nas áreas de ressacas, e 10. Criação de uma rede de transportes com veículos anfíbios.



Grupo 2 (Prof. Michatek)
Janela Amazônica
O grupo abordou a cidade em três eixos principais, o Eixo Norte demarcado pelo Canal do Jandiá, Eixo Central demarcado pelo trajeto da Avenida Padre Júlio e a Rodovia Duca Serra, que juntas formam um eixo viário arterial importantíssimo de Macapá e por fim o eixo sul demarcado pela Avenida Equatorial. Entre as principais propostas do grupo foram no Eixo Norte (Canal do Jandiá), além de uma revitalização seria a construção de um terminal fluvial enquanto no Eixo Central seria a transformação do atual trapiche em um balneário público no Rio Amazonas, tendo em conta o calor abrasador da cidade e a pouca disponibilidade desse tipo de equipamento urbano.
 

Grupo 3 (Prof. Gustavo)
Floresta Urbana
Dentre as principais preocupações do grupo foram em relação ao saneamento básico nas áreas de ressacas, propondo o grupo uma tipologia de habitação popular para áreas de ressacas em paralelo com a infraestrutura de saneamento. Um dos locais de intervenção do grupo foi no Igarapé das Mulheres onde o grupo propõe uma conexão entre as orlas do Perpétuo Socorro e a Beira Rio e também uma praça chamada de "Praça úmida" já que aquela área tem uma grande ligação com o rio, e nesta praça haveria um mirante para o Rio Amazonas com restaurante e local de contemplação da paisagem.


Grupo 4 (Profª. Lucia Stafforini)
O grupo se preocupou com o crescimento populacional de Macapá e Santana, bem como isso iria naturalmente refletir na atividade portuária, tendo em vista que as duas cidades têm grande ligação com os rios, já que o Amapá é o único estado do Brasil que não possui ligação rodoviária com o restante do país. A proposta do grupo se dá na área ao longo da Rodovia JK, e consiste na consolidação de portos para todos os tipos de embarcação e da criação de uma rota econômica e turística entre Macapá e Santana, assim como uma rede de vias conectando as áreas de ressacas ao Rio Amazonas.

Grupo 5 (Prof. Claudio)
O grupo propõe uma intervenção no centro de Macapá através uma reconfiguração urbana, dentre as principais propostas seria a construção de um grande porto de produtos regionais, visando devolver a aquela região seu caráter original de contato com o rio e os produtos da floresta, propõe também um corredor cultural na atual Rua Cândido Mendes, concomitantemente a reconfiguração completa do centro de Macapá, para isso o grupo projetou uma tipologia de edificações modernas tanto para fins comerciais como culturais e habitacionais. E por fim a transformação da Avenida Mendonça Junior em uma via expressa que levaria até a atual área do exército que seria transformada em um centro de alta tecnologia.


Grupo 6 (Prof. Facundo Sniechowsk​i)
A maior ressaca do mundo
Através da análise de escalas, essências e conceitos, o grupo através de uma visão holística e sistêmica propõe 01. Um anel hidroviário ligando o Igarapé da Fortaleza, Lagoa dos índios, Canal do Jandiá ao Rio Amazonas, canal este que poderá ser usado tanto para fins turísticos como para o transporte público, 02. Um zoneamento nas bordas das áreas de ressacas para o uso sustentável voltado para as mais diversas produções agrícolas (Açaí, Banana, Pupunha, Coco, Mandioca, hortaliças etc.) e também para o uso turístico sustentável, 03. E propõe também uma tipologia de habitações para as áreas de ressacas que estaria concomitantemente associada a atividade comercial (Morar e trabalhar no mesmo local).


Grupo 7 (Prof. Cristian)
O.C.A. Ocupação Comunal Amazônica
O grupo parte da análise que Macapá não tem apenas uma orla (Rio Amazonas) e sim duas, pois as áreas de ressacas que são grandes reservadas de água também forma outra orla, uma orla interior. Então partindo desta análise o grupo propõe uma ocupação sustentável desta orla interior, e propõe integrar a população da cidade com a paisagem natural das ressacas, para isso o grupo também propõe uma nova tipologia de habitação e de passarelas nas áreas de ressacas (Com cobertura, iluminação, canalização para saneamento, eletricidade, telefone, internet etc.) agregando diversos serviços públicos para essas áreas, como uma medida de tirar essas populações da situação de marginalização que se encontram atualmente.


Grupo 8 (Prof. Fernando Servidio)
Um modelo de cidade amazônica
O grupo propõe um novo conceito de cidade amazônica, tendo em vista que atualmente, nossas cidades crescem de costas para a floresta e para sua relação história com os rios, sendo assim o grupo propõe várias tipologias de habitações e edificações das mais variadas funções. O grupo também propõe algumas conexões entre Macapá e Santana, e prevendo o crescimento da mancha urbana e da população de Macapá até 2020, e tem como proposta a ocupação sustentável das bordas das áreas de ressacas.
Grupo 9 (Prof. Andres Gomez)
O grupo partiu da análise sistemática de ver a Região Metropolitana e não somente Macapá ou Santana isoladamente, com isso o grupo propõe um complexo integrado de equipamentos urbanos prevendo o surgimento e crescimento da metrópole amapaense que até 2030 deverá ver mais de 1 milhão de habitantes, o complexo parte do eixo ao longo da Rodovia Duca Serra e integra aeroporto, Porto de Santana, Rodovias e Ferrovia. Que se configuraria em um Porto Turístico-Comercial no Centro de Macapá, Um pólo cientifico na região da Lagoa dos índios, Um terminal multimodal ligando Rodovia e Ferrovia no Marabaixo, Um terminal comercial (Porto Seco) no atual Distrito Industrial e se conectando ao Porto de Santana (Porto Global) que conecta o Amapá ao Brasil e ao mundo.


A integração

O intercambio não se limitou somente a troca de conhecimento sobre arquitetura e urbanismo, mas também se expandiu para uma verdadeira troca de culturas e de experiências de vida, de acadêmicos de duas realidades tão diferentes e distantes mas ao mesmo tempo tão próxima quando se trata de pensar o futuro das cidades, sobretudo na nossa região amazônica onde ainda há muito o que se fazer no quesito planejamento urbano. E mesmo o ritmo dos grupos de trabalho tenham sido exaustivos, principalmente nos últimos dias, todas as noites mal dormidas, e cansaço que normalmente nos abateu, ninguém arredou o pé, todos tinham algo ou várias coisas que os motivavam, e uma delas sem dúvida era o fato de está projetando não por obrigação, mas por paixão, paixão pela arquitetura, paixão pela cidade em que vivem e paixão de estarem vivendo um momento único na vida, que muitos souberam na hora de que aquela momento não se repetiria mais, como diz a letra de Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia (...) tudo passa, tudo sempre, passará...”. E como disse Einstein “Uma mente que se abre para uma nova idéia jamais voltará a seu tamanho original”, creio eu que a mesma coisa que eu deva ter sentido não deve ter sido um sentimento isolado e sim coletivo, os acadêmicos de arquitetura da Unifap e Ceap jamais verão a arquitetura da mesma maneira.

Primeira noite de festa
Apresentação de Batuque no
Curiaú










Documentário produzido por Julian Peña e Sebastián Alonso para o encerramento do SOS Cidades 2013:



Referências