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Alexsander costa*
Os antigos, na Grécia e em Roma,
comemoravam a chegada da primavera sem distinção de classes ou funções, todos
podiam aproveitar e celebrar por igual dos prazeres do momento.
Mais a frente, o uso de máscaras e
adereços, escondendo o rosto e com vestimentas universais, tornavam as pessoas
iguais, sem a faceta do rico e do pobre, do chefe, do governante, do camponês
ou do mendigo.
Era comum, também, a inversão de
papeis, o rei dava lugar aos condenados, o nobre ao plebeu, e todos comemoravam
juntos até a quarta-feira de cinzas.
Daí surgiram as famosas e atuais
máscaras, comemorar entre todas as pessoas da cidade sem revelar a identidade.
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Carnaval do Rio de Janeiro. Aquarela de Jean Baptiste Debret, 1823. Museus Castro Maya |
No Brasil tudo começou com o entrudo, festa de três dias que antecedia a quaresma. Muito comum no Rio de Janeiro a partir do século XVII, a celebração consistia em pessoas se atirando farinha, limões, café, lama e até urina, as ruas da cidade viravam uma algazarra só, e não apenas por uma, mas todas as classes, inclusive nobres e escravizados.
Entre preconceitos, censura e as marchinhas de Chiquinha Gonzaga e Carmem Miranda o carnaval (carnis levale)** resistiu e se tornou o que hoje conhecemos no século XX, com a criação das primeiras escolas de samba e consolidação da comemoração no calendário atual ainda na década de 60.
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| Niemeyer apresentando o projeto do Sambódromo para Brizola e Darcy Ribeiro |
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| Croqui original do projeto do Sambódromo Oscar Niemeyer, 1984. |
Na década de 80, o grande Antropólogo Darcy Ribeiro idealizou o que hoje conhecemos como o maior palco do carnaval do mundo, o maior palco aberto de festa popular da atualidade, o Sambódromo do Rio de Janeiro, com projeto de Oscar Niemeyer o espaço comporta até 90 mil pessoas sentadas e hoje é uma referência mundial brasileira atraindo milhares de turistas de todas as partes do mundo todos os anos para acompanhar os desfiles populares e ao mesmo luxuosos na Marques de Sapucaí.
O exemplo se espalhou pelo país e
hoje temos diversos palcos para a folia carnavalesca Brasil afora, inclusive no
Amapá, com o Sambódromo na Ivaldo Veras desde 1997, o que revela uma identidade
brasileira peculiar, somos o país do carnaval.
Blocos de rua populares, festas privadas, avenida do samba, axé, pagode músicas regionais, retiros, o período pré quaresma é um fervor apoteótico para todos os gostos e fé, do pobre ao rico, do contido ao extravagante, é momento de curtir e comemorar a vida, a arte, a música, os prazeres da existência, as religiões, a fé seja qual for, sem distinção de classe ou camada social, sem duvida o carnaval é o movimento mais democrático que o ser humano já pôde idealizar.
*Alexsander
Costa
Sociólogo, Bombeiro Militar e Cronista.
**carnis
levale do latim, deu origem a palavra Carnaval, retirar
a carne, pois a festa ocorre na pré quaresma, 40 dias antes da pascoa.



